Internação involuntária

Internação involuntária é constrangimento legal, mas é moral, ética e necessária

Abordagem policial, inscrição em cartório por dívida, intimação para depor, busca e apreensão decretada pela Justiça, demissão de emprego por justa causa, internamento por dependência química ou alcoolismo são formas de constrangimento, mas são legais. Sem dúvida, internamento é muito constrangedor, principalmente para a família e para o acolhido, mas é legal, moral, ético e necessário. Analisaremos isso a seguir.

Indo direto ao ponto, a internação serve para cessar a periculosidade, desintoxicar, fornecer informações técnicas, diagnosticar comorbidades e patologias associados ao longo período de consumo de drogas e álcool, além de representar uma intervenção evolutiva a fim de ajudar outro ser humano a recuperar a própria dignidade.

Quem acompanha nossas a publicações já sabe que existem três formas de internamento: voluntário, involuntário e compulsório. Sem nos determos a aspectos técnicos podemos dizer, simplesmente, que a internação voluntária decorre da vontade ou anuência da pessoa a ser internada; a internação involuntária requer solicitação de familiares e indicação médica e, por último, a internação compulsória é feita de forma judicial, mas também com respaldo em recomendação médica[1].

Muitos familiares ficam constrangidos de submeterem seu ente adicto ao internamento. Contudo, penso que deixar a pessoa usando drogas/álcool e esperar que ela solicite ajuda, por sua livre e espontânea vontade, é algo muito temerário. Em outras palavras, esperar que o adicto busque seu internamento de forma voluntária é muito perigoso, sobretudo quando estamos diante do primeiro internamento. Aliás, raramente, o adicto solicita por conta própria seu primeiro internamento.

Os familiares, equivocadamente, pensam que o internamento é uma forma de constrangimento ilegal e, por causa disso, evitam submeter seu ente a mais uma ação vexatória. Porém, posso afirmar que isso não é real. O adicto é uma pessoa que precisa de ajuda, mas não consegue pedir socorro. Então, as pessoas mais próximas do adicto e que podem ver/sentir o enorme transtorno que o adicto está passando devem solicitar seu internamento. Esse é, geralmente, como se desencadeia o internamento involuntário. É importante destacar que o internamento involuntário pode se tornar voluntário no decorrer da intervenção ou do acolhimento em clínica ou comunidade terapêutica. Lembrando que a intervenção é o momento que se apresenta a adicção ao adicto[2].

Toda internação involuntária é um constrangimento para o adicto e para seus familiares, mas é necessária, legítima, moral e legal. O maior constrangimento é deixar o adicto destruindo sua própria vida e de seus familiares sem que isso lhe acarrete nenhuma responsabilidade ou, pior ainda, fazendo com que os próprios familiares sejam alvo de agressões, abusos, extorsões ou conflitos em decorrência do uso de drogas/álcool. A internação é uma limitação aos excessos praticados pelo adicto. A internação é um elemento antagônico do excesso de irresponsabilidade que baseia, em grande parte, o desenvolvimento da dependência química ou alcoólica.

Ademais, a internação possui 02 (dois) efeitos imediatos ou diretos[3]: cessar a periculosidade na qual o adicto estava envolvido e, em seguida, desintoxicar. Existem outros efeitos gerados pela internação, mas são considerados efeitos mediatos ou indiretos. Além disso, a internação não é punição e não serve como forma de prejudicar o adicto. Pelo contrário, é uma tentativa de “salvar” seu ente, interromper temporariamente a adicção e gerar tranquilidade para os familiares envolvidos cessando ou minimizando a periculosidade.

Gosto de pensar que a internação é um período em que o adicto recebe informações e começa a entender o tamanho do seu problema, mas nem sempre isso é assim. Infelizmente, durante a internação em muitos ambientes supostamente terapêuticos não haverá divulgação de informação sobre a abstinência e, tampouco, tratamento adequado. Por isso, sugiro que sejam buscados centros especializados que disponham de uma equipe profissional para lidar com seu ente adicto. Não esqueça que a adicção possui, quase sempre, muitas comorbidades relacionadas ao uso prolongado de drogas/álcool de modo que o melhor momento para “fechar” diagnósticos é o da internação.

Peço para aqueles que desejarem mais informações e esclarecimentos que leiam nossas postagens anteriores ou acessem os links fornecidos nas referências. Não esqueça: o adicto é, na maior parte dos casos, incapaz de pedir ajuda. Então, forneça ajuda antes que o problema se complique ainda mais. A internação involuntária é um constrangimento, mas é legal.

Bons estudos!

Escritor: Péricles Ziemmermann

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REFERÊNCIAS

[1] Para mais informações, recomenda-se consultar a Lei 10.2016/2001.

[2] Sugerimos, humildemente, a leitura do texto: VOCÊ SABE O QUE É INTERVENÇÃO? CONHECE A CARTA DE INTERVENÇÃO?

[3] Sugerimos, humildemente, que seja realizada a leitura do seguinte texto: DUPLO EFEITO IMEDIATO OU DIRETO DA INTERNAÇÃO

Sugerimos, humildemente, que seja realizada a leitura do seguinte texto: PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO PRECOCE

Sugerimos, humildemente, que assista ao vídeo: PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS 06 AO 10

Sugerimos, humildemente, a leitura do texto: ABSTEMIOPATIAS FAMILIARES: SÍNDROME DA CEGUEIRA DELIBERADA

ZIEMMERMANN, Péricles. PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2018. ISBN 978-85-824565-3-8

ZIEMMERMANN, Péricles. TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2019. ISBN 978-85-824566-2-0

ZIEMMERMANN, Péricles. ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2020. ISBN 978-85-924432-3-8

ZIEMMERMANN, Péricles. ABSTEMIOPATIAS. Porto Alegre/RS: Editora Simplíssimo, 2021. ISBN 978-85-824583-6-5

Para saber mais: CURSOS E CERTIFICADOS

Por Pericles Ziemmermann

Autor dos livros "PRINCÍPIOS ABSTEMIOLÓGICOS", "TEORIAS ABSTEMIOLÓGICAS", "ITINERÁRIOS ABSTEMIOLÓGICOS" e "ABSTEMIOPATIAS". Advogado e especialista em diversas áreas. Pesquisador de temas abstemiológicos. Criador do maior site do Brasil sobre estudos da Vida Abstêmia: Abstemiologia.